quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Notícias animadas

Pessoal, essa vida corrida de professor faz com que nem sempre dê pra manter o blog atualizado... Então, vou aproveitar este post para juntar algumas novidades, e outras nem tanto, sobre a Oficina Animada, projeto que coordeno na E.M. Profª Olga Teixeira de Oliveira, no município de Duque de Caxias / RJ – aí vão elas!

Novas produções da Oficina Animada

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A Oficina Animada não para: nossas mais recentes produções são O Jacaré que Matou... a Sede! [acima e no YouTube aqui], de Rodrigo Azevedo e Lucas Vinicius [Turma 705]  e Parem de Brigar!!! [abaixo e no YouTube aqui], de Dhiego Rodrigues [Turma 704]. Vamos acessar e conhecer a história de um jacaré que é forçado a sair de seu meio-ambiente natural para beber água em uma... piscina!, contada pela dupla Rodrigo e Lucas, e a de dois brigões que descobrem que a paz é o melhor caminho, mostrada na animação do Dhiego.

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Premiação pelo CIART

Jacqueline e Ana no CIEP 405
As alunas Ana Carolina Sobreira Lopes (turma 705) e Jacqueline Rafaelly G.G. dos Santos (turma 704) autoras, respectivamente, das animações A menina que ajudou o garoto (no YouTube aqui) e O Cachorro e a TV (no YouTube aqui), produzidos pela Oficina Animada, foram ambas agraciadas com o primeiro lugar na categoria Artes Visuais no Celeiro de Talentos, concurso promovido pelo CIART / SME que envolve todas as escolas do município de Duque de Caxias e concede premiações nas categorias de dança, música e artes visuais.
As alunas premiadas no palco do Teatro 
As alunas já haviam passado pela fase eliminatória (dia 9 de julho, no CIEP 405; foto acima, à direita), quando montamos uma pequena exposição dos bonecos de massinha e disponibilizamos no meu laptop as animações para o público e os jurados. A finalíssima do evento aconteceu no dia 30 de agosto, no Teatro Raul Cortez (foto à esquerda).
O prêmio é mais um incentivo para a continuidade do trabalho da Oficina Animada. Parabéns mais que merecidos para as meninas!


Passeio ao Forte de Copacabana

Eu e a aluna Ana Carolina na entrada do Forte de Copacabana
O passeio, realizado no dia 4 de outubro, foi mais um presente resultante da premiação no Celeiro de Talentos do CIART/SME-Duque de Caxias. O passeio reuniu alunos de várias escolas premiados no evento (nossa escola foi representada apenas por uma das alunas premiadas, Ana Carolina S. Lopes, pois a aluna Jacqueline Rafaelly, infelizmente, não pôde ir) e, apesar de alguns imprevistos relativos aos horários de saída e retorno do transporte, foi muito proveitoso.

Vista parcial da fortaleza com a baía ao fundo
Os alunos puderam apreciar a belíssima paisagem [alguns deles, vendo o mar “ao vivo” pela primeira vez], fazer uma visita guiada pelas dependências do Museu do Exército - também uma aula sobre a história do Brasil - e pela fortaleza subterrânea que abriga os canhões, uma construção do início do século passado cujas paredes chegam a possuir doze metros de espessura. O guia, muito solícito, atendeu com gentileza às curiosidades de todos - que lamentaram, apenas, a proibição de fotografar no interior do museu e, assim, não poder guardar um pouco mais do que foi visto.

Anima Mundi e exposição "Rio"

Casa França Brasil, local das oficinas do Festival Anima Mundi

Oficina Animada no Anima Mundi
Olhos e ouvidos atentos...
... às instruções da monitora
Sequenciando...
Três professores de artes da E.M. Profª Olga T. de Oliveira, Angélica Hartung, Diva Amorim e eu, mais as professoras Ana Paula e Letícia Medeiros (coordenadoras da Sala de Informática) e o sempre presente Rogério (nosso porteiro com alma e talento de jardineiro) acompanhamos cerca de sessenta alunos ao Festival Anima Mundi, no Centro Cultural Banco do Brasil, centro do Rio - e é claro que a Oficina Animada não poderia ficar fora dessa! Representando a Oficina Animada, foram ao passeio e participaram das oficinas oferecidas pelo evento os alunos Matheus Pena, Estevão Leal, Rodrigo Azevedo, Ana Carolina S. Lopes, Ane Caroline B. Morais, Bianca e Beatriz Conceição (todos da turma 705).
... usando a mesa de luz
Chegamos bastante cedo e pudemos inscrever todos os alunos nas Oficinas, que aconteceram na Casa França Brasil. Os alunos da Oficina Animada, que já desenvolvem a animação com massinha na escola, optaram por experimentar a técnica “clássica” do desenho animado (fotos acima e à direita). Os demais se dividiram entre a animação com massinha, auxiliados pelas professoras Angélica e Diva, e o pixillation (animação com o próprio corpo), acompanhados pelas professoras Ana Paula e Letícia.

Exposição "Rio"

Exposição "Rio": story board
Todo o dia foi muito proveitoso, pois ainda foi possível dar uma esticada no Museu Nacional de Belas Artes, ali pertinho do CCBB, onde os alunos puderam ver a exposição Rio, sobre o filme de animação homônimo, e aprender um pouco mais sobre toda a complexidade que envolve o processo de criação e produção de um desenho animado de longa metragem, além de conhecer algumas das galerias do MNBA. Ao final, a sensação de que sempre vale a pena aprender com novas experiências!
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Abaixo, Um Casal se Encontra, animação da aluna Ana Carolina S. Lopes, com desenhos realizados na Oficina de Desenho Animado do Anima Mundi [para ver no YouTube, clique aqui]: 

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Todos as animações realizadas pelos alunos nas Oficinas foram disponibilizados no site do Anima Mundi. O caminho é meio longo, mas vale a pena dar uma olhada!

Segue o roteiro, passo a passo: 

1 > acessar a página "Estúdio Aberto" no site do Anima Mundi; 
2 > em "busca", escolher "2011", "Rio de Janeiro" e "massinha" [nos campos correspondentes a "ano", "local" e "técnica"]; 
3 > clicar em "15/07/2011" [data da visita]...
... e pronto! As animações dos nossos alunos são as primeiras de baixo para cima. Os títulos de algumas delas: "Lixo no Lixo", "O Beijo", "O Beijo de Raissa", entre outras.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Oficina Animada




Atenção aos detalhes
Desde o dia 10 de junho iniciei o projeto Oficina Animada na E.M. Prof. Olga Teixeira de Oliveira, em Duque de Caxias. A Oficina é um desdobramento do Projeto Animassinha, proposto pela profa. Ana Paula Pires, uma das coordenadoras da Sala de Informática da escola.

Concentração
Inicialmente, pretendia-se trabalhar apenas com uma turma do 7.o ano de escolaridade, em sala de aula. A idéia cresceu e a direção, que desde o início apoiou o projeto, propôs que também fosse feito um trabalho diferenciado, no contraturno, para que os alunos que se interessassem em aprofundar o exercício das técnicas de animação pudessem ter um espaço maior de experimentação.

Aprendendo com o Pivot
Nos quatro encontros iniciais, trabalhou-se a introdução aos princípios básicos da animação, utilizando o Pivot StickFigure Animator, e o exercício da animação stop-motion com bonecos construídos com massa de modelar. Apesar do pouco tempo de trabalho, duas alunas já produziram suas animações: Ana Carolina Sobreira Lopes [turma 705, "A Menina que Ajudou o Garoto"] e Jacqueline Rafaelly dos Santos [turma 704, "O Cachorro e a TV"].

Alguns dos bonecos criados pelos alunos

Nas postagens a seguir, os dois vídeos, já disponíveis noYouTube:

"A Menina que Ajudou o Garoto", de Ana Carolina Sobreira Lopes

"O Cachorro e a TV", de Jacqueline Rafaelly dos Santos

sábado, 7 de maio de 2011

"Novo aluno x novo professor" [ * ]

Estudantes da E.M. Affonso Penna, Rio; ano letivo de 2010

[ * ] Entrevista concedida 
ao portal do Instituto Ayrton Senna; disponível em: 

IAS - Na escola tradicional o professor é aquele que “transmite as regras que o aluno deve seguir”. É aquele que “sabe tudo”, seu papel é “encher a cabeça” dos alunos de informações das quais um dia, talvez “poderá precisar”. Como você vê, nos dias atuais, a figura desse professor que está preso a esses paradigmas?

Raul - Em um mundo em que “tudo que é sólido desmancha no ar” é evidente que qualquer profissional, principalmente se atua na área da educação, que se proponha a ditar regras fixas e absolutas estará fadado ao fracasso, atropelado pelos acontecimentos.O professor possui saberes específicos, que são os conteúdos de sua disciplina. Mas é preciso não confundir “conteúdo” com “prática conteudística”. Assim, é importante que todo professor tenha em mente que na origem da sua disciplina existe um modo específico e intransferível de ver, compreender, configurar, significar e re-significar o mundo. Um “discurso” próprio, que se constitui no seu saber essencial. Uma prática baseada apenas na transmissão de conteúdos é incapaz de promover a aquisição, por parte dos estudantes, desses modos essenciais de pensar o mundo, “ferramentas” que acompanharão os estudantes sendo-lhes úteis ao longo de toda a vida.

IAS - A principal finalidade da escola deve ser desenvolver as capacidades dos alunos em situação de aprendizagem como elemento de auto-realização e, não, “transmitir” conhecimentos. O que é necessário para um professor atender às novas exigências da escola atual?

Raul - O mestre não pode “transmitir” nada - a não ser, quem sabe, seu exemplo. A escola também. Portanto, talvez o principal objetivo da escola seja a de se auto-realizar, desenvolver suas potencialidades transformando-as em capacidades: capacidade de acolher, de agregar; coordenar esforços e talentos, capacidade de experimentar e aprender com a experiência. A instituição demasiadamente ocupada com seus afazeres se esquece que, antes de mais nada, é percebida pelo aluno como um “ambiente”. O professor, imerso no ambiente e submetido (inconscientemente?) às suas regras, reproduz o comportamento institucional: preocupa-se com o que o aluno é capaz de aprender, minimizando o que ele de fato apreende na convivência cotidiana com o ambiente escolar. Karl Marx dizia que “a prática é o critério da verdade”; na escola, a “prática” também se manifesta na forma de um ambiente verdadeiramente pedagógico, algo que não existe sem as pessoas- professores, inclusive. A escola precisa se tornar um espaço no qual tanto o aluno quanto o professor possam buscar, cada um em seu nível, sua auto-realização, crescendo juntos. 

IAS - Saber ensinar é saber criar condições para que os alunos aprendam. A aprendizagem constrói-se pela ação; por isso, o professor deve ser um estimulador de interesses, um despertador de curiosidade. Como deve agir um professor para se tornar um colaborador no sentido de ajudar os seus alunos a desenvolver competências necessárias para a vida?

Raul - Minhas primeiras lembranças da escola me remetem ao Colégio de Aplicação da UnB, em Brasília, cidade na qual passei a infância. As principais memórias que tenho do colégio se relacionam ao seu espaço físico, principalmente a existência de um jardim de inverno ao qual todas as salas de aula se comunicavam e que podíamos acessar por intermédio de uma porta de vidro, dessas de correr. Lembro das inúmeras vezes em que colhemos folhas e insetos neste jardim, para serem observadas nos microscópios do Laboratório de Ciências. A possibilidade de estabelecer vínculos afetivos com o conhecimento, ou por meio dele, é um valor pedagógico essencial. Os antigos se valiam de uma expressão em desuso: “tal coisa me sabe a…”, vinculando a experiência dos sentidos ao “conhecer” alguma coisa. Experiência e assimilação/incorporação, sem dúvida, combinam e rimam com educação. Mas criar as condições necessárias para que estas “ações” possam se desenvolver é uma tarefa institucional, transcendendo às iniciativas de cada professor. Sem articulação, ainda que valiosos, os esforços individuais se mostram incapazes de efetivar as mudanças estruturais que garantam a continuidade que todo projeto pedagógico necessita.

IAS - O alunos dos novos tempos não aceitam mais as práticas pedagógicas no estilo castigo e recompensa, aulas passivas, “transmissão de conteúdos”. Na sua concepção, como deve ser a prática pedagógica do “novo professor” para atender às exigências do perfil dos “novos alunos”?

Raul - Como professor da disciplina de artes plásticas, percebo a importância dos momentos em que a “atividade” se interioriza na forma de plena atenção, atitude necessária à realização de algumas tarefas durante as quais o silêncio e a concentração são condições fundamentais. Portanto, “passividade” é um conceito que pode ser problematizado e contextualizado, pois seu uso corrente tende a desconsiderar às diversas formas de atividade necessárias ao processo de aprendizagem.
“Atividade”, em sentido amplo, se liga a “interesse”- pois é este que garante o vínculo do estudante com o “fazer”. E a “recompensa” pelo fazer, idealmente, começa pelo próprio prazer de fazer. Do “novo” professor se exige, portanto, o desenvolvimento de estratégias pedagógicas que garantam a criação das condições propícias a uma vivência plena das experiências, pois apenas isto vai garantir a real incorporação, por parte dos estudantes, dos conhecimentos e habilidades correspondentes aos “conteúdos” listados nos currículos. 

IAS - Como você descreve o “novo professor” e o “novo aluno”?

Raul - Essencialmente, imagino esse ”novo professor” como um profissional consciente de que a educação só se realiza plenamente como um trabalho institucionalmente integrado e colaborativo. Confinado em sala de aula e isolado com seus saberes específicos o professor não tem nada a ganhar. Portanto, é preciso disposição para conquistar e garantir espaços institucionais que sejam facilitadores de encontros, trocas, conversas, enfim tudo que venha a promover o surgimento de vínculos e o arejamento das relações, condições necessárias à elaboração e implementação de estratégias coletivas de atuação. 
Quanto ao “novo aluno”, ao contrário do “novo professor” em certo sentido ele sempre existiu e existirá. Pois cada aluno que entra na escola traz consigo as potencialidades de uma nova geração. Cabe à escola o trabalho de “interpretar” e direcionar essas potencialidades, tendo como eixos estruturantes os saberes essenciais dos quais ela é portadora.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Mundo virtual, arte real?

Uma das telas que serviram de conceito na criação da franquia Assassin's Creed; material está exposto em Paris

Afinal, video game é ou não é arte? Cá entre nós, a grande maioria dos fãs de games talvez não estejam nem aí pra essa discussão que tanto interessa aos teóricos e estudiosos da arte... Mas são cada vez maiores os sinais de que, assim como já aconteceu com os quadrinhos e o graffiti, em breve esta pergunta poderá não fazer mais sentido também para os games.
As fronteiras da arte estão sempre em questão e os diálogos entre a chamada "arte culta" e as manifestações da cultura de massas são um capítulo a parte nessa história que, ao menos desde o surgimento da Pop Art nos EUA da década de 1960, já rendeu muita coisa boa. Desde então, muita água já correu por baixo dessa ponte - e continua correndo... Hoje em dia já existem até mesmo galerias de arte especializadas em expor trabalhos de artistas que criam peças com histórias em quadrinhos, filmes, cinema, mangá e videogames. É o caso da galeria parisiense Arludik, que define sua linha curatorial como "arte contemporânea para o entretenimento".
Como informa o jornal Folha de S. Paulo, em cartaz atualmente na Arludik está uma exposição que mostra "telas conceituais criadas por um time de artistas na pré-produção dos jogos Assassin's Creed, Assassin's Creed 2 e Assassin's Creed Brotherhood" - este último será lançado somente no mês que vem. As 35 pinturas em exposição foram feitas na fase de pré-produção do jogo e serviram de referência para a realização da versão digital. Portanto, jamais seriam vistas pelo público se não estivessem expostas em uma galeria.
Mas fica a dúvida: se o diferencial de um game é a interatividade, faz sentido expor essas telas preparatórias de formato "tradicional", como qualquer outra pintura? Uma das justificativas poderia ser a possibilidade da imagem parada proporcionar um maior tempo de observação da qualidade técnica e riqueza de detalhes dos originais. E isto é mais verdadeiro ainda quando se trata de um game "hiperrealista" que tem como cenários cidades muito importantes arquitetonicamente como Roma e Florença - material visual riquíssimo, que abre possibilidades para aulas de história da arte totalmente interativas!

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Galeria Arludik
matéria Folha de S. Paulo

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mundano: graffiti papo reto

Graffiti da série São Paulo 100 Carroças
foto publicada n'O Estado de S. Paulo, 03/10/2010

Originário das ruas e tendo alcançado o status de arte, sendo exposto em galerias, integrando o acervo de museus e já totalmente assimilado pelo mercado, o graffiti deixou de ser apenas uma técnica e já pode ser compreendido como uma linguagem capaz de manifestar ações e propostas extremamente variadas. Pode-se dizer que, hoje em dia, o graffiti é uma das inúmeras linguagens contemporâneas que qualquer artista pode usar para "dar o seu recado" de modo pessoal segundo o proprio estilo e, principalmente, as intenções de cada um.
No caso do Mundano, o graffiti assume radicalmente suas raízes: social e participativo, seu trabalho se pauta pela ação política - no sentido amplo da palavra. Estas qualidades se apresentam com mais intensidade na série São Paulo 100 carroças, seus graffitis se apresentando como intervenções diretas na paisagem e na vida da cidade, claramente com o objetivo de questionar nossa habitual alienação com relação a temas que o artista julga importantes. Nas palavras do próprio artista:

"Meu objetivo é que os "carroceiros" (catadores de papel) sejam olhados pela sociedade como profissionais da reciclagem e sejam respeitados pelo árduo trabalho, porque eu vejo muito engravatado olhando torto e socando a buzina pra eles saírem da frente e chamando eles de vagabundos, quando eles estão reciclando o lixo que eles mesmos nem produzem."

Outra característica interessante a destacar nesta série de graffitis é a centralidade e a força da palavra, que carrega a essência da mensagem. Concisas e diretas - condição essencial para sua legibilidade em meio à profusão de informações e à velocidade com que circulamos pela cidade -,as frases criadas pelo artista cumprem integralmente seu objetivo de impactar quem quer que as leia.
A seguir, reproduzo algumas fotos dos graffitis da série, que pode ser acessada na íntegra pelo link disponibilizado pelo próprio Mundano no Flickr:



Uma última palavrinha: agradeço, mais uma vez, a amiga Clarice Villac, que me apresentou o trabalho do Mundano. Valeu, Clarice!

Afetos & repercussões


haiga da poetamiga Clarice Villac sobre foto dos graffitis 
da Turma 1903 da E.M. Affonso Penna


É muito bom saber que um trabalho que se fez com prazer foi capaz de afetar outras pessoas, não é mesmo? Principalmente quando essa pessoa é muito especial, uma poeta de fina sensibilidade! E que, se não bastasse essa qualidade, também é professora e trabalha numa escola como a nossa... Pois é, essa pessoa é a poeta e amiga paulistana, residente na cidade de Campinas, Clarice Villac [http://claricevillac.blogspot.com/]. Clarice leu aqui no blog a postagem sobre o Projeto Graffiti e compôs este haiga sobre a foto da Turma 1903 tendo ao fundo seus trabalhos.
O haiga é um gênero artístico ligado à tradição da poética clássica japonesa e consiste num pequeno poema de três sílabas - um hai kai - que dialoga com uma imagem. Originalmente, esta imagem consistia num desenho ou pintura mas, atualmente, também se fazem haigas a partir de fotografias, como fez e nos ofertou afetuosamente a Clarice.
Compartilho este presente com todos vocês!
Grato, Clarice!

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+ sobre hai kai, um site:
+ sobre haiga, um blog:

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sketchbook, o que é isso?


Sketchbook do grafiteiro Binho, mostrando alguns dos desenhos preparatórios 
para o graffiti que realizou na E.M. Affonso Penna em parceria com o Leleco

Alguns dos alunos que participaram do Projeto Graffiti [ver postagem abaixo] perceberam que o Leleco e o Binho levaram vários "caderninhos" para a escola e foram bisbilhotar pra ver o que continham... Pois é, esses "caderninhos" são chamados de sketchbooks: cadernos de esboços ou rascunhos. É nesses cadernos que o artista "pensa visualmente", registra coisas interessantes que vê, rabisca rapidamente uma cena ou situação, explora as possibilidades de um desenho etc. Pode-se dizer que um sketchbook é um diário desenhado e, nesse sentido, ao folhear um sketchbook nós podemos ter uma noção do universo de interesses e do processo criativo de um artista, seu estilo de desenhar, os materiais que prefere utilizar no seu trabalho - ou seja, ficamos conhecendo o artista e seu trabalho mais profundamente.
Leonardo Da Vinci

Os sketchbooks são usados não apenas por grafiteiros mas por quase todo tipo de artista, e não é de agora: Leonardo Da Vinci [1452-1519], por exemplo, já fazia uso de cadernos de esboços [ilustração à esquerda], assim como Pablo Picasso [1881-1973] que, antes de pintar Guernica usou vários cadernos para esboçar cada um dos detalhes da obra antes de partir para a tela [ilustração abaixo, à direita].
Pablo Picasso
Os sketchbooks se tornaram, assim, documentos importantes para conhecermos melhor os artistas e passaram a ser publicados na forma de livros no exterior e, agora, no Brasil. É o que informa a matéria Livro traz esboços feitos por artistas brasileiros  publicada recentemente pelo jornal Folha de S. Paulo.
Titi Freak
Organizado por Cezar  de Almeida e Roger Basseto e publicado pela editora POP, o livro se chama Sketchbooks - As Páginas Desconhecidas do Processo Criativo. O preço não é lá muito acessível [R$ 120,00] mas são 272 páginas contendo imagens e depoimentos de 26 artistas de vários gêneros: artistas plásticos, quadrinistas, ilustradores e grafiteiros  como Titi Freak [ilustração acima, à esquerda], entre muitos outros. A boa notícia: 30 imagens do livro podem ser acessadas gratuitamente acessando o link: 


Vale a pena dar uma boa bisbilhotada nos desenhos desses artistas... E, quem sabe, alguém se anima a iniciar seu próprio sketchbook?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Projeto Graffiti na E.M. Affonso Penna

Os alunos participantes do projeto diante de seus graffitis
Desenhos preparatórios 
O Projeto Graffiti é desenvolvido por mim desde o ano passado na E.M. Affonso Penna, com as turmas do 8.o e 9.o anos. Este ano, iniciei o projeto com a Turma 1903 no segundo bimestre, tendo como proposta pensar o graffiti em suas continuidades e rupturas relativamente à história da pintura mural e integrado ao panorama da arte pública, compreendendo-o dentro da categoria intervenção e como pintura mural urbana e contemporânea. Durante estes dois bimestres, muito assunto para conversa: as relações entre obra e espaço e as possibilidades do graffiti como intervenção urbana, as diferenças entre graffiti e pichação, o surgimento do grafitti como expressão cultural de minorias e seu recentemente adquirido estatuto de "arte", seu potencial de expressão individual e/ou coletivo na atualidade etc.
Um dos stencils pronto
Neste sentido, ao longo do processo os alunos leram textos teóricos sobre o assunto, matérias de jornais [1] e entrevistas de grafiteiros e conheceram movimentos artísticos como o muralismo mexicano, trabalhos de artistas modernos brasileiros que realizaram murais e painéis além, é claro, de verem muitas imagens e vídeos de trabalhos de grafiteiros brasileiros e estrangeiros desde os primórdios do grafitti até os dias de hoje, entre os quais Alex Vallauri, OsGêmeos, Keith Haring, Jean-Michel Basquiat, Bansky...
Grafitando
Este ano o projeto teve uma novidade e uma surpresa: a novidade foi ter obtido a autorização da direção da escola para que os alunos, ao final do processo, pudessem grafitar um dos muros da escola. Como não tenho experiência prática como grafiteiro, optei por trabalhar com o alunos a técnica dos stencil, na qual a imagem é grafitada com o spray usando-se um molde vazado [técnica usada por vários artistas do graffiti, como o brasileiro Alex Vallaury e o inglês Bansky]; a surpresa, uma feliz coincidência: quando já estávamos com quase tudo pronto para a culminância do projeto, ficamos sabendo que o SESC Tijuca realizaria um dia de atividades na escola, quando seriam oferecidas uma série de oficinas e atividades, entre
O stencil após o uso
as quais uma "grafitagem-aula" pelos grafiteiros Leleco e Binho. Isso foi fundamental para a ampliação da consistência do projeto para os alunos, pois eles puderam ter as duas experiências: finalizar o processo conduzido em sala de aula e compartilhar o processo de trabalho de dois garfiteiros conhecidos na realização de um graffiti, desde seu início - preparação do muro - até o final. A proximidade com os grafiteiros foi de suma importância para a culminância do projeto, pois os alunos não só puderam apreender in loco detalhes de técnicas e procedimentos, apre[e]ndendo pela observação, como puderam se valer da assessoria e das dicas de um dos grafiteiros - Leleco, que também é professor - na realização do trabalho.
Nas imagens abaixo, detalhes dos graffitis realizados pelos alunos; na sequência, uma panorâmica do pátio da escola no dia seguinte ao evento e, finalizando, Leleco, eu, Binho e o aluno Douglas diante do painel finalizado pelos grafiteiros.







NOTAS:

[1] Relação das reportagens de jornais disponiblizadas aos alunos durante o projeto:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100302/not_imp518093,0.php

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,grafite-muda-de-nome-e-vira-nova-arte-publica,345880,0.htm

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,asfalto-do-minhocao-ganha-flores-no-fim-de-semana,446307,0.htm

 




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Graffiti em galeria de arte: Choque Cultural [E.M.A.Penna – Turmas 1901 e 1903]

e-aula 1
01 de outubro de 2009



Nossa primeira conversa virtual será uma revisão sobre algumas informações e conceitos já vistos em sala de aula ao longo dos segundo e terceiro bimestres: as origens e transformações do graffiti, de atividade “marginal” ao atual reconhecimento como “arte”.
As imagens abaixo mostram três situações bastante distintas: na imagem 1, graffitis feitos em telas do grafiteiro brasileiro Titi Freak, expostos no interior de uma galeria de arte; na imagem 2, um graffiti de rua do brasileiro Alex Vallauri; na imagem 3, uma galeria de arte totalmente grafitada, em seu interior, pela dupla de grafiteiros brasileiros Os Gêmeos.
Depois de observar as imagens, acessem o link para a reportagem “Acervo da Choque, um novo espaço para a arte urbana” e, ao final, respondam à questão proposta.



IMAGEM 1




IMAGEM 2




IMAGEM 3





Link para o artigo de jornal:

http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art440766,0.htm

QUESTÃO:

O graffiti nasceu como uma forma de arte pública, isto é, feita nas ruas. Hoje em dia, além de continuar presente nas ruas, também é exposto em museus e galerias de arte. Na sua opinião, o graffiti se apresenta com mais força e causa mais impacto visual nas ruas ou no interior de museus e galerias de arte? Justifique sua resposta.

Responda abaixo clicando em “Comentários”.

domingo, 27 de setembro de 2009

Arte no Brasil ou arte do Brasil? A questão da representação de uma “identidade brasileira” na arte [E.M.P.O.T.O. – Turma 906]

e-aula
28 de setembro de 2009


Hoje iniciamos nossa viagem pela história da arte brasileira.
De início, vou disponibilizar para vocês uma espécie de “álbum de figurinhas”: obras de diversos artistas, brasileiros e alguns estrangeiros que passaram pelo Brasil e aqui trabalharam [o francês Jean-Baptiste Debret, o alemão Georg Grimm], ou até mesmo se radicaram no país [o lituano Lasar Segall, o italiano Alfredo Volpi].
As obras que vocês verão cobrem um período que vai do primeiro quarto do século XIX [Neoclassicismo] até o final do século XX [moderno e contemporâneo]. As imagens não pretendem cobrir toda a arte produzida no Brasil, mas têm o objetivo de dar início aos nossos estudos abordando a questão das relações entre a produção artística e a identidade cultural de um país – no caso, o Brasil.
Então, inicialmente, vamos às imagens; ao final, como de hábito, uma pequena questão a ser respondida nos “Comentários”.

IMAGEM 1 - Jean-Baptiste Debret






IMAGEM 2 - Georg Grimm





IMAGEM 3 - Almeida Júnior




IMAGEM 4 - Tarsila do Amaral




IMAGEM 5 - Cândido Portinari






IMAGEM 6 - Lasar Segall





IMAGEM 7 - Alfredo Volpi





IMAGEM 8 - Rubem Valentim





IMAGEM 9 - Mestre Didi





IMAGEM 10 - Hélio Oiticica





Agora que você já observou a série de imagens, clique abaixo em “Comentários” e responda:

Na sua opinião, qual delas representa melhor uma “imagem do Brasil”? Por que?